terça-feira, 28 de agosto de 2012

Depois do Fim


Atacando no escuro, um adversário que não se faz ideia de onde esteja
Mas que te afronta, te fere mesmo sem te alcançar.
O instinto, o dever de sobreviver, te lança ao vazio
Ao vazio, no escuro, em direção ao desconhecido.
Investida em vão.
Não a nada que realmente se possa alcançar nessa sala
Nesse estágio, nesse nível, nada que se possa ferir.
De confusão, de reflexão, de pensamento
A porta que está trancada, te lacrando no cômodo com a fera
Você irá abrir, assim que seja materializado do lado de fora
Muito ou pouco tempo? Essa relação certamente não existe.
Apenas o tempo que leva para tal.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Tristeza


Se sentir triste, não deve ser razão para escapismos
Como também não deve ocorrer a banalização do sentimento de tristeza.
Sinto por vezes uma inclinação a me sentir triste
A qual não tenho direito nenhum de atender
Não seria justo, a tristeza, que eu assim fizesse
Quando for a minha hora de sentir, assim como a alegria
Não terei a opção, não serão me dadas maneiras de fugir
A tristeza, tem seu charme, suas atrações, é sublime.

Mas nunca aquela que você entra, apenas a que te toma.
Como a felicidade, a sublime, te invade sem perguntas
E então você não é capaz de falar, relatar sobre nenhum desses fatos

Não no momento exato ao menos,
E posteriormente de nada adianta
Já não se é possível enxergar como foi real
Já não é mais possível compreender fielmente o que aconteceu.

Como uma piada velha, uma reviravolta em uma história que você já conhece
Perdeu-se o encanto.

domingo, 5 de agosto de 2012

Apreço


Rebuscar, por vezes é um processo saudável e de grande ajuda
Mas por outras vezes, é apenas desgastante e dolorido
Não sendo possível alcançar os objetivos
Nunca encontrei nada tão desgastante como rebuscar apreço
Tão cansativo, desgastante e difícil  ... principalmente difícil
Se aparenta como tentar recolher a água da chuva com as mãos nuas
Ou com essas mesmas, conseguir barrar os ventos que tocam em todas as direções
Por ser um sentimento que brota naturalmente
Se é deixado morrer, se foi, tão natural quanto veio.
E tentar encontra-lo novamente, exatamente como antes
Não direi que é impossível, por vezes eu mesmo senti algo parecido
Mas notei ser somente uma leve brisa passageira
Não sei se pode vir a ser mais que isso

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Vazio.


Espaço em branco, sem preenchimento, mas não sem razão de ser.
O espaço a ser tomado, a ser utilizado para algo.
Se verdadeiramente existe, não só queremos que exista,
Por certo  tem sua razão de existir.
De seguir ali, perturbando, clamando que seja tomado
Talvez por isso, ao menor vislumbre de uma possibilidade
De que algo esteja vindo, de que sua real função seja descoberta e colocada em prática.
Tenta se transformar, se adequando à proposta existente
Ao invés de fazer o certo, e aguardar a uma proposta que seja adequada
E por isso, ao término da empolgação, o espaço pode não parecer maior
Mas com certeza parece mais profundo, mais distante.
De que valeu a tentativa de se adaptar? De se adequar ao que vinha.
Não se deve dobrar tão facilmente, que as propostas se dobrem antes de ti.