segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Olhos Verdes



Os mais lindos olhos verdes, que não mais vi
A doçura das palavras, que conheci
E a pureza das emoções, que eu senti
Me embalam agora a imaginar, o que ficou
De tudo que já foi, o que sobrou
E se outra vez, talvez, retornará
Ou se o coração tão calmo, se aquietará
Abandonando assim, aquele olhar
Que fez o mais honesto, se indagar
Brincando entre os demais, sem saber
Não percebendo, o mais claro vislumbre
Partiu e jamais permitiu que a procurem
Os olhos, cansados de esperar
Aos céus se colocaram a perguntar
Onde outra vez será possível a encontrar
Ou se com ela, será possível, não mais sonhar.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Assombro


A falta de capacidade de reconhecer o que não é superficial no outro
Faz com que o consideremos extraordinário, intrigante ou especial
Esta dificuldade de traze-lo ao mesmo plano onde nos encontramos
Este assombro que a primeira imagem de uma pessoa pode causar
Faz com que subentenda-se que na verdade está em um outro patamar
 Faz-se crer em uma distância, de certa forma, o torna inalcançável
Com as lentes turvas da surpresa; a incógnita do que seria de fato o outro
Pode em um primeiro momento fazer com que nos afastemos
Mas o maior problema que a noção incerta  do outro pode causar é o encantamento
A atração pelo desconhecido, a paixão que o relance e  que o ponto de vista específico pode gerar
Causa uma desordem sensorial, embaçando a capacidade de tomar decisões
O que não necessariamente impede que elas sejam tomadas
Decisões duras, esforços feitos com base em alicerces tão inexistentes como os de castelos de areia.
Que então, ironicamente, ao serem lavados pela maré ou facilmente desmanchados pelo vento.
Causam consigo a quebra daquele espirito de confusão onde tinha se escondido o discernimento.
E consigo essa quebra, traz grande dor, sofrimento e possível mágoa.
Mágoa que por sua vez não tem direito de existir, mas sem notar o detalhe
Existe e forte, impulsionada ainda por todas as antigas desilusões a muito sepultadas
Que como fantasmas, sedentos por nova atenção, uma vez que já significaram tanto
Voltam ferozes e ao encontrarem estruturas já fragilizadas têm grandes chances de fazerem danos ainda mais profundos.
Neste momento, em que tudo parece passar tão lentamente, os pensamentos não se vão como antes.
O escapismo se torna aceitável a mentes que antes o ojerizavam.
Deve se conseguir, assim como quando na infância ao brincar de girar em torno de si.
Encontrar um ponto fixo para focar-se, algo que em meio a todo o caos
Permaneça e resista, deve se encontrar onde reside sua fortaleza verdadeira
Com alicerces profundos e firmes no solo. Pois ela está lá, sempre.
Exatamente onde inconscientemente, você já sabia e não se permitia enxergar
Nestes momentos não se deve temer, ou ter vergonha de procura-la e nela se apoiar.
E de dentro da fortaleza austera e inabalável a toda aquela confusão.
Conseguir contemplar além das nuvens e dos ventos
O sol que lentamente vai atravessando e rasgando o tempo ruim
O expulsando e abrindo um novo caminho, mesmo que sem as doçuras da ilusão.
Um caminho onde não se pise em falso tão facilmente.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Amor


O amor, ao meu ver, é como um organismo vivo, pode nascer em locais inóspitos
Assim como uma árvore que nasce em terreno árido,pode encontrar seu caminho para crescer forte.
No entanto nunca será inabalável, pois novamente, é uma força viva, um organismo.
Pode então ser vitimado por fatalidades, ferido de morte, por vezes não intencionalmente.
E a morte é irreversível, por mais que a fera seja colossal, quando abatida jamais se levanta.
De onde nasceu, um outro pode surgir, mas ao seu próprio modo com suas próprias características
Nunca maior, nunca menor, nunca melhor, nunca pior 
Único.
Sempre uma vez apenas, nunca o mesmo se repetirá,
Indiferentemente se os agentes envolvidos são os mesmos de outrora.
Aquele que uma vez foi sepultado se desprende para sempre.
Existe agora apenas como uma das poucas memórias que valem a pena ser guardadas
E de mudança em mudança, que a caixa seja aberta, seu conteúdo vasculhado
Contemplado novamente, imaginado e depois colocado de volta
Para não tomar espaço do que está vivo, ou do que pode nascer.
E mesmo que não haja nada vivo, ou por nascer.
A memória deve permanecer apenas como é
Memória e passado.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Introspecção


Desperdiçar argumentos, com interlocutores desinteressados
E por vezes honestamente incapazes, pode dar-te a falsa impressão
De possuir um discurso falho, desinteressante, ultrapassado
Além de ser extremamente cansativo, tentar desbravar concepções alheias.
Por isso é de suma importância, tomar tempo para reconhecer seu terreno.
Não se esforçar tanto em embates que não te agregaram grandes coisas
Valorizar a internalização e o  aprofundamento das ideias
Invés da exteriorização e superficialização das mesmas
Convencer a mim mesmo, já me pareceu banal
Mas agora me atrai muito mais e é inclusive mais recompensatório
Em comparação a troca rasa de ideias, quando na maioria dos casos
A parte do interlocutor pouco me interessa.
E a parte mais importante:
Saber reconhecer e dar valor as exceções dessa regra.
Por vezes elas irão aparecer, provavelmente sem neons ao redor.

domingo, 7 de outubro de 2012

Benção.


Entrar no quarto escuro fragilizado e ouvir o clássico ronco de motores
Inevitavelmente me buscando de volta a masculinidade primária
Sentir-se satisfeito o suficiente para temporariamente esquecer
O asco que sentia das próprias palavras que pronunciava
De ter percebido que era o que havia de errado com o mundo
Todo aquele drama emocional, quebrado pelo rugir feroz das máquinas.
Apelando ao tribal, para realinhar meu ser.
A dádiva de poder se curar assim tão facilmente
Existe proveniente de uma fraqueza
Ignorância
Portando-me como um animal irracional, é mais simples resolver as questões filosóficas.
Proponho-me a apenas responder estímulos, e não me importo muito de onde vieram.
Não é uma tática que funcione bem, mas não achei outra.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Sequestro



É muito perigoso, deixar-se ser levado pela empolgação
Empolgação essa que os ambientes sociais nos propõe
Ela trabalha desfocando a realidade, te apresentando outra versão
Distorcida e manipulada pelo senso comum
Fugindo ao seu entendimento próprio das situações
Te lançando ao grupo, sequestrando você pra longe de si mesmo.
E então existe a pior parte, por vezes o processo é imperceptível
Uma agressão enorme, violenta, que não se percebe acontecer
Por certo é esse um dos maiores males, que pode haver.
E mesmo que percebido, pode acontecer tarde demais.
Aquela identidade que existia antes do crime
Pode ter se perdido eternamente, talvez fugindo do novo eu
Para nunca mais ser encontrada novamente.
E a reação em cadeia segue, uma vez incapaz de retomar de onde viemos
Se encontrar perdido, apenas com a nova realidade para se basear
É natural que essa se fortaleça, e continue seu caminho
Apagando tudo que um dia houve, em seu antigo ser
Sem poder, uma vez que forte, ser controlado.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O novo.


A urge de se entregar ao novo
Por várias vezes aparece disfarçada, ou escondida pelo medo
E então como em outras situações cabe somente a mente
Calcular os pesos, as prioridades, o que vale a pena arriscar
Sair da zona de conforto, é preciso, é estimulante, prazeroso
Assim como também é amedrontador, cansativo e por definição
Desconfortável.
Línguas diferentes, músicas,comidas, pontos de vistas, esportes...

... Pessoas ...

É necessário experimentar ao menos um pouco
Desprender-se da ignorância, nem que se possa fazer isso apenas de vez em quando.